quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Futurologia


Como uma flecha, lançada no futuro, hoje;

Quem sabe, sabe
Texto escrito no ínicio de 2010

INDÚSTRIA DIZ QUE BRASIL PULA ETAPA E VÊ RISCO DE RECESSÃO

O Brasil está pulando uma etapa econômica. Segundo economistas, o País se encontra em processo de desindustrialização sem, no entanto, atingir um patamar de renda per capita que sustente uma economia pós-industrial, baseada em serviços que gerem renda e emprego para os brasileiros, como ocorre em países avançados.

O alerta tem sido emitido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que não acredita no crescimento sustentável da economia nacional tal como se encontra hoje. De acordo com Rogério Gianetti, diretor do departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da entidade, a velocidade de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional deve diminuir. "Em dois ou três anos podemos ter recessão se essa tendência se mantiver", afirmou.

A projeção do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp indica que a participação da indústria no PIB nacional será de 15,9% em 2010, sendo que em 1985 o percentual era de 27,2%, em tendência de queda desde então, segundo dados da entidade.

"Nos Estados Unidos, a participação da indústria é de 14%. No Reino Unido, de 13%. No Japão, a indústria representava 20% do PIB no pós-guerra. A Coreia tem cerca de 20% do produto (PIB) proveniente da indústria. A China, por volta de 40%", aponta Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Para Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a atual renda média do brasileiro não sustenta uma economia baseada em serviços e, sem indústria, a economia perde seu motor e tende à estagnação.

"Quando a renda per capita é alta, vamos mais ao cinema, cortar o cabelo, ao restaurante, à lanchonete e isso tudo é serviço. Mas a renda per capita do Brasil é três ou quatro vezes menor do que de países como Alemanha, EUA e Japão, o peso do serviço na economia não é condizente com esse dado", explica Souza.

"O que acontece no caso brasileiro é que o País iniciou a redução (do peso da indústria na economia) precocemente. É como se o planador fosse solto do avião antes de alcançar a altura adequada, que seria um valor alto do PIB per capita", avalia Francini.

Para Gianetti, não tomar medidas para retroceder o processo de desindustrialização é abdicar do processo de formação da economia nacional. "Não chegamos à fase pós-industrial, ainda faltam 20 ou 30 anos. Até lá, ainda teremos que colocar muito a mão na graxa para garantir renda e 3 milhões de emprego por ano necessários para absorver a PEA (população economicamente ativa)".

Ganham os importados

A perda de competitividade da indústria nacional, que geraria esse recuo do peso na economia, pode ser verificada pelo aumento das importações e redução das exportações de manufaturas. Segundo a Fiesp, o Brasil deverá registrar déficits recordes na balança comercial de manufaturados.

A projeção da entidade das indústrias paulistas para 2010 é de um saldo negativo de US$ 51,9 bilhões. Para 2011, a previsão é ainda pior. Se não houver mudanças no cenário econômico nacional, o déficit comercial de manufaturados pode alcançar até US$ 80 bilhões no ano que vem.

"Precisamos acabar com a aparência de que a economia vai bem, de que temos uma balança superavitária em US$ 15 bilhões", afirmou Gianetti.

Para o economista, o incremento nas exportações brasileiras se dá apenas pela alta do preço das commodities. "A alta da exportação de produtos agrícolas é conjuntural, pela alta do preço no mercado. Mas este é um fator extremamente volátil, que coloca a economia em risco", disse.

Mas a perda de competitividade da indústria nacional não se dá apenas no mercado externo. No terceiro trimestre do ano, o consumo aparente no Brasil cresceu 12,9%, por conta dos incentivos à indústria no pior momento da crise econômica, que refletiram no incremento da demanda doméstica. Porém a indústria nacional supriu apenas 41,6% das novas necessidades de consumo, enquanto as importações abocanharam 58,4% do total.

As causas

O real valorizado em relação ao dólar é hoje o principal fator para a perda de competitividade da indústria nacional, na opinião de Souza, do IEDI. A isso, a Fiesp ainda soma a contenção por parte do governo de créditos tributários das exportações, o custo da logística no País e a guerra tributaria entre Estados, que acaba por favorecer empresas importadoras.

"O governo deve US$ 40 bilhões em créditos tributários aos exportadores. Ele está usando isso para se financiar. Isso é apropriação indevida. É preciso saber quando eles vão pagar", disse Gianetti.

As soluções

Para estancar o processo de desindustrialização da economia nacional, a Fiesp defende o que chamou de "vacina tríplice".

Em primeiro lugar é necessário "espantar o capital especulativo". Segundo a entidade, o câmbio não condiz com a economia real e apenas estimulando certa insegurança no mercado financeiro será possível conter a alta do real.

Para alcançar esse objetivo, a Fiesp recomenda a elevação do prazo mínimo para manutenção do investimento - de 30 para 180 dias - e o estímulo à volatilidade. "Queremos que o especulador fique com medo e retire o investimento, para que o câmbio possa se aproximar do que seria na economia real. Em minha opinião, a taxa de equilíbrio seria em dois (dólar a R$ 2)", avaliou Gianetti.

Em relação ao acúmulo de crédito tributário, a Fiesp sugere uma força tarefa no governo para sua devolução, além da criação de um sistema informatizado para devolução automática dos créditos. Dessa forma, as empresas exportadoras voltariam a ter capital de giro e para investimentos.

O fim da guerra fiscal entre os Estados, a redução do imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 12% para 4% e a desoneração dos investimentos em logísticas completariam a receita para a indústria nacional retomar o fôlego e ganhar participação no PIB.

"Queremos (os industriais) uma concorrência legítima e honesta, baseada em custos relativos. Atualmente, o câmbio distorce nossos preços relativos", concluiu Gianetti.

Fonte: JB Online
Gosto ·  · 22/1 às 15:07 perto de Feira de Santana
  • 4 pessoas gostam disto.
  • Manuel Joaquim Domingues Malheiro Eu estudo Administração aqui no Brasil e os professores á muito tempo que vêm chamar atenção para isto mesmo, eles chamam de custos brasil
  • César Ramos da Silva Está há muito montado um colete de forças á ecónomia brasileira, que não deixa margem para crescimento. Os fundamentos do crescimento estão castrados; o investimento sustentado em infraestruturas. Pior ainda, o desacreditar da indústria, que aos pouco...Ver mais
  • Manuel Joaquim Domingues Malheiro Eu gostava que as coisas fossem diferentes, apesar de não ser brasileiro quero que o Brasil progrida. O brasil é um país muito rico, mas não é desenvolvido e este governo a unica coisa que tem feito é fazer crescer o consumo para basear o seu crescimento ao inves de promover um desenvolvimento sustentavel mas para isso é preciso reformas e faze-las dá trabalho

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